A Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP) emitiu um alerta sobre o número alarmante de amputações de membros inferiores no Brasil, impulsionado por complicações do diabetes e de doenças vasculares. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o SUS registrou 11.326 amputações de pernas e pés em 2023, e outros 5.710 procedimentos apenas no primeiro semestre de 2024, mantendo a média de cerca de 28 cirurgias por dia.?
Essas amputações são, em grande parte, resultado de uma complicação conhecida como “pé diabético”, condição que causa úlceras e infecções nos pés devido a problemas de circulação e danos nos nervos (neuropatia). Estima-se que 70% das amputações não traumáticas (não causadas por acidentes) no país sejam decorrentes do diabetes.

O Brasil é o sexto país com mais casos de diabetes no mundo, com 16,6 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos vivendo com a doença, segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF). Em 2024, o país já registrou 111 mil mortes relacionadas à condição.?
Principais Complicações
Duas condições são as principais responsáveis pelo agravamento do quadro que leva à amputação:
- Neuropatia diabética: Danos nos nervos, principalmente nas pernas e pés, que causam perda de sensibilidade, dores intensas, formigamento e fraqueza muscular. A falta de sensibilidade faz com que feridas passem despercebidas, evoluindo para infecções graves.?
- Doença Vascular Periférica (DVP): Estreitamento das artérias pelo acúmulo de gordura, o que dificulta a circulação do sangue para os membros inferiores. A má circulação compromete a cicatrização de feridas e aumenta o risco de complicações.
Entre os sinais de alerta para ambas as condições estão a sensação de queimação nos pés, feridas que não cicatrizam, formigamento, pele seca ou com rachaduras e frieza nas pernas e pés.
Prevenção e Cuidados Essenciais
O controle rigoroso da glicemia é a principal forma de prevenir essas complicações. A SOBRASP e outras entidades médicas recomendam:
- Monitorar os níveis de glicose regularmente.
- Manter uma alimentação saudável e controlar o peso.
- Examinar os pés todos os dias em busca de feridas, bolhas ou rachaduras.
- Ter muito cuidado ao cortar as unhas e evitar retirar as cutículas.
- Usar sapatos macios, confortáveis e evitar andar descalço.
- Hidratar os pés para evitar rachaduras e beber bastante água.
“Estamos diante de um cenário crítico, e é fundamental que tanto a população quanto os órgãos públicos de saúde estejam atentos a essa doença, que avança de forma silenciosa e rápida”, alerta Ana Terezinha Guillaumon, mestre vascular e membro da SOBRASP. Ela ressalta a urgência de políticas públicas eficazes e de um diálogo claro entre profissionais de saúde e pacientes para garantir a prevenção.

