Em Jundiaí, a história recente mostra que o maior risco para um prefeito não está na oposição — está sentado ao seu lado. Nos últimos três mandatos, nenhum vice-prefeito chegou ao fim como aliado do titular. O que nasce como parceria eleitoral, quase sempre termina em ruptura.
O primeiro exemplo foi Pacheco, vice de Luiz Fernando em 2017. A aliança ruiu quando ele decidiu disputar uma vaga de deputado estadual, contrariando a articulação do governo e enfraquecendo a candidatura de Gustavo Martinelli, então nome oficial do grupo. O vice que deveria somar virou adversário antes do fim do mandato.
No segundo ciclo, Luiz tentou não repetir o erro. Escolheu Gustavo Martinelli como vice, num gesto que parecia reforçar a continuidade administrativa, mas também servia a um cálculo político: afastar temporariamente um potencial concorrente à Prefeitura. A convivência, porém, se desgastou. Quando chegou a hora de escolher o sucessor, Luiz preferiu Parimoschi — seu secretário e homem de confiança — ao vice natural da chapa. O resultado foi o rompimento definitivo e, em 2024, a disputa direta entre os dois grupos, com Gustavo Martinelli e Ricardo Benassi vitoriosos.
Agora, o enredo se repete. Ricardo Benassi, vice de Martinelli, rompeu com o governo há poucos meses. Deixou a Secretaria de Governo, afastou-se das decisões administrativas e viu, um a um, seus indicados deixarem a Prefeitura. O que começou como aliança virou distanciamento político.
Benassi não é autoritário nem conflituoso — apenas não fala a língua da política. Vê a administração pública com o olhar de quem aprendeu a resolver tudo pela via técnica, e não percebe que o poder também se sustenta em convivência e timing. O resultado é previsível: quem se recusa a compreender o jogo, acaba saindo de campo antes do fim.
