Longe das paixões ideológicas, a política real acontece

A política costuma ser apresentada como um campo de convicções. Cada partido com seu território, cada sigla com suas fronteiras, cada liderança com um suposto projeto que a distingue das demais. Essa é a versão pública, a que organiza o jogo para quem o observa de longe. Dentro dele, porém, a dinâmica é outra. Ali, a ideologia se acomoda no banco de trás e quem dirige são as conveniências possíveis, as articulações necessárias, as alianças que não fariam sentido na teoria, mas fazem todo sentido na prática.

É nesse ambiente que surge Fernando Ferrugem. Depois de treze anos à frente do PSDB e agora no comando do Republicanos, seus movimentos recentes não escandalizam quem conhece o funcionamento real dos bastidores. O apoio a Danilo Joan, do PSD, e a Luiz Fernando, do PL, não rompe nenhuma lógica interna. Apenas expõe a verdadeira natureza do jogo, essa malha flexível onde as linhas partidárias servem mais como referência estética do que como limite de ação.

Para o eleitor comum, pode parecer contraditório. Para quem participa das engrenagens, é apenas o cotidiano. O cidadão ainda tenta compreender a política como um mapa de princípios, mas o mapa real é feito de pontes. Algumas permanentes, outras provisórias, todas orientadas pela leitura do momento e pela necessidade de manter relevância num tabuleiro que muda mais rápido do que os discursos conseguem acompanhar.

Ferrugem não é exceção. Também não é vilão. É apenas um exemplo visível de como o jogo funciona quando as câmeras se desligam. Sua trajetória ajuda a revelar algo que a política raramente admite: o movimento importa mais do que o manifesto. A prática fala mais alto do que o enunciado.

E é exatamente nesse território silencioso, distante das paixões ideológicas, que a política real acontece.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial do Bom Dia Jundiaí.

Publicidade

Continue lendo