A Petrobras elevou em mais de 50% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras em abril. Os reajustes variam entre 53% e 56% em todas as modalidades de venda e nas bases da estatal, que responde pela maior parte do refino e da oferta desse combustível no mercado nacional.
Para suavizar o impacto, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento: em abril, as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%, e a diferença até os cerca de 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes a partir de julho. “Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado”, informou a estatal.
O reajuste ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde o início da guerra, o preço do barril saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115. Nesta quarta-feira, o barril Brent era negociado a US$ 102,10. Em março, o reajuste do QAV havia sido de 9,4%.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou que o reajuste deve gerar “consequências severas” para o setor. No Brasil, o querosene de aviação representa mais de 30% das despesas operacionais das companhias aéreas.
Os efeitos já aparecem nas tarifas. A Azul informou que elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo de três semanas e anunciou redução de 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre. O diretor financeiro do Grupo Abra, holding controladora da Gol, Manuel Irarrazaval, afirmou que a empresa pode precisar elevar preços sempre que o combustível subir, e que um acréscimo de US$ 1 por galão no querosene pode exigir elevação de cerca de 10% nas tarifas.

