A Serra do Japi voltou a ganhar destaque no meio científico após pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificarem 22 espécies de libélulas e donzelinhas na Reserva Biológica (Rebio), em Jundiaí. O levantamento foi iniciado em 2024 e publicado em abril de 2026, indicando que a área segue como um importante refúgio de biodiversidade da Mata Atlântica.
Segundo a prefeitura, o número representa cerca de 7,5% das espécies catalogadas no estado de São Paulo. Entre os resultados, três espécies foram registradas pela primeira vez no território paulista: Rhionaeschna planaltica, Brechmorhoga goncalvensis e Heteragrion tiradentense.
A pesquisadora Aline Gonçalves, autora do estudo, explicou que os registros estão associados a ambientes bem preservados, como riachos com água limpa, boa oxigenação e vegetação nas margens. Para os pesquisadores, a presença de espécies variadas, inclusive algumas sensíveis à poluição, aponta para o bom estado de conservação da reserva.
O inventário foi realizado em 11 pontos da reserva, com coletas em diferentes ambientes, como riachos e lagoas. Os insetos foram capturados com redes entomológicas ao longo do dia e depois identificados em laboratório com base em literatura especializada, o que permitiu constatar que parte do material não tinha registros anteriores para o estado.
A própria pesquisadora avalia que as espécies encontradas ajudam a indicar o nível de conservação ambiental da Serra do Japi. Parte delas foi observada em áreas mais sombreadas e com pouca interferência, enquanto outras são mais generalistas e ocupam ambientes abertos, mostrando que a região reúne micro-habitats variados e abriga uma comunidade diversa de libélulas.
O estudo é preliminar e os pesquisadores avaliam que novas coletas, em diferentes épocas do ano, podem ampliar ainda mais o número de espécies catalogadas. A presença de libélulas sensíveis à poluição e de espécies classificadas como quase ameaçadas reforça a necessidade de preservação dos ambientes naturais da Serra do Japi.

