Sâmia Bomfim aciona André Mendonça e pede prisão preventiva de Flávio Bolsonaro após áudios com Daniel Vorcaro

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) protocolou um ofício ao ministro André Mendonça, relator do Inquérito 5.026 no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a adoção de medidas cautelares — inclusive a prisão preventiva — contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pedido foi feito após a divulgação de áudios e mensagens envolvendo negociações milionárias entre o parlamentar e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e alvo da Operação Compliance Zero.

No documento, a deputada pede que as informações reveladas em reportagem do The Intercept Brasil, que aponta tratativas para um aporte de cerca de 24 milhões de dólares (aproximadamente R$ 134 milhões à época) para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro, sejam anexadas ao inquérito já em curso no STF. Ela solicita que o material seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise de abertura de investigação específica contra Flávio.

Sâmia cita indícios de possíveis crimes financeiros, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, ocultação patrimonial, corrupção, organização criminosa e eventual obstrução de investigações envolvendo o senador e o grupo ligado a Vorcaro. A parlamentar sustenta que o conteúdo dos áudios e documentos reforça a necessidade de aprofundar as apurações sobre as relações do parlamentar com o empresário, preso no âmbito da operação que apura irregularidades ligadas ao Banco Master.

O ofício também requer a adoção de medidas cautelares como quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, além da preservação urgente de provas e diligências para assegurar a integridade do material já existente. Em caráter sucessivo, Sâmia pede que André Mendonça avalie a decretação de prisão preventiva de Flávio Bolsonaro caso os elementos apontem risco concreto de destruição de provas, coação de testemunhas, obstrução das investigações ou continuidade delitiva.

Em nota e em publicações nas redes sociais, Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que buscava apenas patrocínio privado para um filme privado, sem uso de recursos públicos ou incentivos via Lei Rouanet. Ele diz que conheceu Vorcaro em 2024, antes de qualquer denúncia contra o banqueiro, e defende a criação de uma CPI para investigar a atuação do Banco Master. Até o momento, caberá ao STF e à PGR analisar o pedido de Sâmia e decidir sobre a abertura de nova frente de investigação ou eventual aplicação de medidas cautelares.

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