16/06/2019 | 18:21
Jundiaí

Cia de Dança Siameses chega a Jundiaí com coreografia premiada

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Premiada pela Associação Paulista de Crítico de Arte como melhor Criação “Rubedo”, de Maurício de Oliveira, sobe ao palco do Sesc, dia 6 de junho, às 20h

A Companhia de Dança Siameses, dirigida pelo coreógrafo e bailarino Maurício de Oliveira, apresenta Rubedo (2016) – trabalho vencedor do prêmio APCA de Melhor Criação/coreografia – no dia 6 de junho, no Teatro do Sesc-Jundiaí. A obra é o desfecho da “Trilogia Alquímica”, iniciada com as peças Nigredo (2012) e Albedo (2014). A remontagem teve apoio do 24° Edital do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo e conta com seis bailarinos em cena.

Um dos nomes importantes da dança contemporânea do Brasil, Maurício de Oliveira, partiu da visão de James Hillman, o criador da psicologia alquímica, para criar a obra. “A alquimia é a arte da transformação e trabalha com o processo de elevar a matéria a um nível superior de manifestação e, sendo assim, abriga uma metáfora poderosa para o trabalho psicológico”, diz o coreógrafo.

‘Rubedo’, palavra de origem latina, significa avermelhado e reflete uma atividade da libido em que prevalece o instinto. Para Hillman, traduz o momento de extremo prazer, objetificado como beleza, momento de enxergar o brilho nas coisas terrenas, quando o desejo se torna a linguagem do mundo, um Eros que aprecia o mundo e anseia por ele. A coreografia versa sobre a vida em transformação, sobre a urgência de abandonar os padrões estabelecidos para descobrir um caminho próprio, de ser feliz por ser quem se é e reflete sobre o descobrimento desse potencial único do espírito de fazer olhar o outro como uma singularidade no planeta e reconhecer-se como parte de um todo cósmico, que manifesta sua verdade na pluralidade das formas de viver.

Oliveira tem um modo de trabalhar próprio, em que o processo se dá pelo alcance da compreensão das coisas do mundo até a exaustão da própria busca. No processo, as questões são traduzidas para o movimento e pesquisas, repetições, reconfigurações e eventual execução.

No caso de Rubedo, os elementos presentes ao longo do processo foram as imagens associadas às cores. “A alquimia pensa por meio das imagens e as imagina em termos de cores”, afirma o coreógrafo. “Portanto, nesse espetáculo oferecemos imagens inusitadas, projetadas através de vídeo-mapping, que criam a costura de toda obra, como se fossem sonhos permeando os momentos de vigília, lembranças resgatadas e integradas à realidade. Imagens que funcionam como bússola que, ao contrário do que se espera, nos dão a direção da perda e do abandono, proporcionando, assim, uma leitura não linear do tempo e dos seus acontecimentos”, completa o coreógrafo.

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