Ensino superior é pressionado a se reinventar em meio à mudança acelerada das habilidades profissionais

Um estudo do World Economic Forum projeta que 44% das habilidades profissionais atuais passarão por mudanças até 2027, impulsionadas pela automação, pela inteligência artificial e por outros avanços tecnológicos, o que aumenta a pressão sobre universidades e faculdades para reverem conteúdos, metodologias e formas de preparar seus alunos. Segundo a vice?presidente da ESAMC Jundiaí, Renata Gracioso, ainda há um claro descompasso entre a velocidade com que o mercado de trabalho muda e o ritmo de adaptação das instituições de ensino, que muitas vezes operam com estruturas mais lentas e currículos pouco flexíveis.

Na avaliação dela, formar um estudante hoje vai além da transmissão de conteúdo técnico: é preciso desenvolver capacidade de adaptação, aprendizado contínuo e repertório para lidar com profissões, ferramentas e tecnologias que ainda estão surgindo. Pesquisas internacionais sobre futuro do trabalho reforçam essa percepção ao apontar que a habilidade de aprender e se atualizar rapidamente se torna uma das competências centrais em um cenário em que quase metade das habilidades nucleares tende a ser “disruptada” em poucos anos.

Do ponto de vista das empresas, uma das principais críticas ao ensino superior é a pouca experiência prática de parte dos estudantes e a fragilidade em competências consideradas essenciais para o desempenho no dia a dia. Ganham peso habilidades como resolução de problemas, trabalho em equipe, comunicação clara, análise de dados, tomada de decisão e capacidade de aprender rapidamente, que aparecem entre as chamadas “soft skills” mais demandadas nos relatórios recentes sobre o futuro dos empregos.

O avanço da automação também recoloca no centro do debate a importância de preservar e fortalecer habilidades tipicamente humanas em ambientes altamente tecnológicos. Renata destaca que, quanto mais automatizado se torna o mercado, mais valiosas passam a ser competências que as máquinas não reproduzem com facilidade, como criatividade, empatia, visão estratégica, repertório cultural, comunicação e pensamento crítico, que tendem a diferenciar os profissionais no longo prazo.ensio

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