O governo federal, por meio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), deve firmar contrato com o apresentador José Luiz Datena para comandar dois programas em horários de destaque na TV Brasil e na Rádio Nacional. O valor previsto é de R$ 100 mil mensais, com possibilidade de R$ 65,8 mil adicionais para cobrir despesas com viagens. O acordo total é estimado em R$ 1,26 milhão por um ano.
De acordo com o projeto, Datena apresentará o programa semanal “Na Mesa com Datena”, com 1h30 de duração na TV Brasil, voltado ao debate sobre segurança pública e temas de interesse das classes C, D e E. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para a edição de estreia, mas ainda não confirmou presença. O jornalista também comandará o “Alô Alô Brasil”, noticiário matinal de duas horas na Rádio Nacional, que reunirá os principais fatos do dia. A estreia está prevista para fevereiro.
Segundo informações internas da EBC, a contratação sem licitação se baseia no reconhecimento do apresentador por sua trajetória jornalística, incluindo dois prêmios Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, conquistados por equipes de TVs de Ribeirão Preto nas décadas de 1980 das quais Datena fez parte.
O salário oferecido pela estatal é considerado compatível com valores praticados por outras emissoras. A EBC cita notas fiscais emitidas pela empresa do apresentador — uma de R$ 652,3 mil por serviços prestados à Band, em dezembro de 2023, e outra de R$ 100 mil por programa na RedeTV!, no ano passado.
A proposta, entretanto, tem gerado controvérsias. Em dezembro, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e sindicatos da categoria criticaram a negociação, afirmando que Datena “consolidou um tipo de jornalismo marcado pelo desrespeito aos direitos humanos e pelo proselitismo político”.
Com carreira televisiva marcada por programas policiais, Datena já foi filiado a mais de dez partidos, apoiou candidatos de diferentes espectros políticos — do PT a Jair Bolsonaro (PL) — e chegou a protagonizar episódios polêmicos, como o embate com Pablo Marçal (PRTB) durante a disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2024.
Integrantes do governo afirmam que o objetivo do programa é ampliar o debate sobre segurança pública e o papel do Estado, oferecendo uma narrativa alternativa ao discurso da direita no tema, em um ano eleitoral decisivo.

