Enquanto a maioria dos jundiaienses planeja seu feriado de 7 de setembro com a tranquilidade cívica de sempre, a cidade se prepara para ser palco de um curioso duelo de realidades. De um lado, a normalidade institucional. Do outro, um chamado apocalíptico que promete salvar o Brasil de uma suposta tirania. A pergunta que fica é: em qual Jundiaí você vai acordar?
De um lado do ringue, temos a Prefeitura de Jundiaí, com seu tradicional e ordeiro desfile cívico-militar. Às 9h, na Avenida Prefeito Luís Latorre, famílias, escolas e forças de segurança se reunirão para celebrar a “valorização da cidadania e o respeito à história”. Para garantir que ninguém perca o espetáculo por falta de troco, a passagem de ônibus custará a bagatela de R$ 1,00. Um convite singelo à normalidade, ao som de fanfarras e aplausos.
Mas, espere! Não guarde sua bandeira ainda. Apenas uma hora depois, às 10h, no Parque da Uva, um outro Brasil, muito mais sombrio e urgente, pretende marchar. Um grupo de manifestantes, convencido de que vivemos sob o jugo de uma ditadura – ainda que, ironicamente, possam se manifestar livremente contra ela –, sairá às ruas para protestar contra o Supremo Tribunal Federal. O motivo? O STF estaria, segundo eles, arruinando a economia e nos isolando do mundo.
O arauto desta cruzada é Alex Timóteo, um político conservador que, após uma tentativa de se eleger vereador com 1.325 votos e atrelado ao grupo do candidato derrotado à prefeitura, Parimoschi, agora se lança como o porta-voz do fim dos tempos. Em suas redes, onde ostenta 18 mil seguidores no Facebook, o alarme soa alto e claro: “O Brasil está em risco!”.
A narrativa, que parece roteiro de filme de suspense, é a seguinte: o STF, nas figuras de Flávio Dino e Alexandre de Moraes, teria encurralado os bancos brasileiros em uma “sinuca de bico”. Se obedecem às leis brasileiras, sofrem sanções dos EUA. Se obedecem aos EUA, são punidos pelo STF. O resultado, segundo o panfleto virtual? Um prejuízo de R$ 40 bilhões aos bancos, queda de ações e uma imagem de “insegurança jurídica” que afugenta investidores. Medo, pânico, crise.
Resta saber: o cidadão comum, aquele que só queria aproveitar o feriado, percebeu essa catástrofe iminente? Enquanto a Prefeitura fala em cultura e cidadania, os manifestantes falam em colapso financeiro e tirania judicial.
No fim das contas, o jundiaiense terá que fazer uma escolha neste 7 de setembro. Ir de ônibus por R$ 1 para assistir a crianças desfilando e celebrar a pátria, ou marchar do Parque da Uva para salvar a nação de um abismo invisível? A decisão, aparentemente, é entre um domingo cívico e o Juízo Final. Ou talvez seja apenas a diferença entre a vida real e a que cabe nos posts de redes sociais.
