24/04/2019 | 14:51
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Sob ameaças de morte, Jean Wyllys abre mão do mandato e deixa o Brasil

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) realiza audiência pública interativa debate o legado vivo de Abdias Nascimento. O evento contará com presença de Wole Soyinka, primeiro africano a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, além de nomes do ativismo em direitos humanos. Em pronunciamento, membro da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Violência Contra Jovens Negros e Pobres,deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado.
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‘Quero me manter vivo’, diz deputado Federal do Partido Socialismo e Liberdade (Psol)

O deputado federal pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), Jean Wylly ira entregar o mandato e deixará o Brasil. Em uma entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, o parlamentar contou que, desde de que sua companheira de partido Marille Franco foi assassinada, ele vive sob escolta policial diante das inúmeras ameaças de morte. 

“O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis’. E é isso: eu não quero me sacrificar”, explicou Wyllys. Ele está de férias no exterior e revelou ao jornal que, após deixar a política, irá se dedicar à carreira acadêmica.

Ainda segundo o parlamentar, que foi eleito pela terceira vez consecutiva como deputado federal, o que também fortaleceu a ideia de deixar o país e o mandato foi a possível relação do senador eleito e filho de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, com a milícia carioca. 

“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário. O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, desabafou. 

Durante a entrevista à Folha, Wyllys lamentou a falta de liberdade no Brasil e de como a sua decisão foi difícil. 

“Como é que eu vou viver quatro anos da minha vida dentro de um carro blindado e sob escolta? Quatro anos da minha vida não podendo frequentar os lugares que eu frequento?”, questionou.

Ele também afirmou que irá se afastar das redes sociais e irá procurar não acompanhar a repercussão da sua decisão.

“Essa não foi uma decisão fácil e implicou em muita dor, pois estou com isso também abrindo mão da proximidade da minha família, dos meus amigos queridos e das pessoas que gostam de mim e me queriam por perto”, lamentou.

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