Jundiaí é a 7ª cidade do país com maior potencial para moradias 60+

Jundiaí ocupa a sétima posição entre as cidades brasileiras com maior potencial para receber empreendimentos de Senior Living, segmento imobiliário voltado à população 60+. O levantamento coloca o município à frente de cidades como Vitória, Joinville e Porto Alegre.

O dado integra um estudo apresentado na segunda edição do livro Senior Living: conceito, mercado global e empreendimentos de sucesso, lançado neste ano pelo engenheiro civil e especialista em longevidade Norton Mello. A publicação é resultado de sua tese de doutorado, intitulada “Moradia para Idosos: A conexão da bioengenharia com emoções para potencializar a longevidade”.

Para chegar ao ranking, foram considerados cinco fatores principais: população acima de 300 mil habitantes, custo da construção civil, valor de venda dos imóveis, percentual de pessoas idosas na população e qualidade da infraestrutura urbana, incluindo saúde, transporte, saneamento e segurança.

A presença de Jundiaí no ranking reflete a combinação entre bons indicadores socioeconômicos, população com elevada expectativa de vida, infraestrutura de saúde e serviços consolidada e um mercado imobiliário dinâmico e em expansão. A tese, orientada pelo professor Anthony Portigliatti, parte da premissa de que o envelhecimento populacional está criando uma demanda crescente por novos modelos de moradia, mas nem todas as cidades apresentam condições favoráveis para esse tipo de empreendimento.

“O envelhecimento da população é uma realidade nacional, mas a viabilidade de um empreendimento de Senior Living depende da combinação entre mercado, infraestrutura e perfil demográfico. Não basta haver pessoas idosas, é preciso existir um ambiente que favoreça qualidade de vida, acesso a serviços e sustentabilidade econômica do projeto”, afirma o engenheiro civil.

O estudo também observou diferenças regionais. Dados do Censo Demográfico 2022 mostram que Sudeste e Sul concentram os maiores percentuais de pessoas idosas do país, com 16,6% e 16,2% da população, respectivamente. Já a Região Norte apresenta o menor índice, com 9,9%.

Para Norton Mello, fatores socioeconômicos ajudam a explicar esse cenário. “Existe uma correlação importante entre educação, renda e expectativa de vida. Regiões com melhores indicadores educacionais e econômicos tendem a apresentar maior longevidade e, consequentemente, maior potencial para o desenvolvimento de produtos imobiliários voltados a esse público”, analisa.

Ranking das cidades

  1. São Paulo (SP).
  2. Balneário Camboriú e região (SC).
  3. Campinas (SP).
  4. Curitiba (PR).
  5. Santos e região (SP).
  6. Florianópolis (SC).
  7. Jundiaí (SP).
  8. Vitória (ES).
  9. Joinville (SC).
  10. Porto Alegre (RS).

O levantamento também analisa o formato de Senior Living conhecido como Independent Living, considerado um dos mais promissores do mercado. Voltado a pessoas entre 60 e 75 anos com autonomia preservada, o conceito oferece apartamentos planejados para acompanhar o processo de envelhecimento, combinando conforto, acessibilidade e serviços de conveniência.

O mais recente empreendimento nesse modelo é o Bioos, inaugurado em junho em Curitiba. Desenvolvido pela Construtora Laguna com consultoria da Bioeng, empresa gerida por Mello, o complexo é formado pelas torres BIOOS Home, residencial, e BIOOS Health, que integra saúde e conveniência no mesmo ambiente urbano.

Ao contrário dos modelos assistenciais, esses empreendimentos funcionam como condomínios residenciais, nos quais o morador mantém a propriedade do imóvel e pode contratar serviços de saúde, bem-estar e apoio conforme a necessidade. Para Norton, o Senior Living no modelo Independent Living representa uma evolução da moradia, com o objetivo de permitir que a pessoa continue independente por mais tempo.

Segundo pesquisa da SeniorLab, o Brasil tem um novo integrante 50+ a cada 20,2 segundos e ultrapassou, em junho, a marca de 62 milhões de pessoas nessa faixa etária. Quando considerado apenas o público 60+, o número chega a 38,9 milhões.

“O Brasil tem uma das maiores oportunidades do mundo nesse segmento. Estamos falando de uma população que cresce em velocidade acelerada, possui maior poder de compra do que em gerações anteriores e busca soluções que ofereçam autonomia, segurança e qualidade de vida”, conclui.

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