Nos bastidores da política, uma decisão tomada para resolver um problema imediato costuma cobrar seu preço em ciclos. Luiz Fernando Machado sempre foi um nome de ascensão meteórica, acumulando passagens pelo Legislativo e pelo Executivo com uma agilidade que poucos em Jundiaí conseguiram imprimir. No entanto, o histórico de vitórias sucessivas parece ter gerado uma confiança excessiva na capacidade de moldar o panorama a seu favor, ignorando que o vácuo de poder sempre acaba preenchido.
O movimento que começou a desarranjar a expansão do projeto foi a composição de 2020. Ao escolher Gustavo Martinelli para a vice-prefeitura, Luiz não buscou apenas um aliado, mas uma forma de neutralizar uma candidatura adversária. Acreditava que, ao trazer o concorrente para dentro da máquina, garantia uma reeleição tranquila sob a atipicidade de um pleito durante a pandemia; o contexto acabou por silenciar toda e qualquer alternativa de oposição. O erro de cálculo foi não prever que, ao dar o palco para Gustavo, Luiz estava pavimentando a estrada para que o seu próprio vice se tornasse o herdeiro natural de um capital político que o grupo, então tucano, julgava ser exclusivo.
Em 2022, essa mesma lógica de controle se repetiu. A tentativa de transferir o prestígio da gestão para o irmão, apostando na semelhança física e no sobrenome para a cadeira federal, mostrou que o eleitorado não aceita sucessão por parentesco sem o devido lastro político. Para completar o quadro, a insistência em permanecer em um PSDB que já demonstrava sinais claros de esgotamento atrasou a leitura das mudanças na engrenagem. Quando o convite para o PL finalmente ocorreu, foi um movimento pragmático que trouxe consigo a rejeição do centro e da esquerda, sem que Luiz tivesse tempo de construir uma identidade com a ala ideológica que move a militância bolsonarista.
A fatura final de suas sucessões de erro foi cobrada em 2024. Ao apostar em Parimoschi para a sucessão, Luiz Fernando acreditou que sua aprovação pessoal seria um cheque em branco. A exposição excessiva na propaganda eleitoral, onde o prefeito muitas vezes ofuscava o próprio candidato, evidenciou a tentativa de transformar o pleito em um terceiro mandato por procuração. A derrota nas urnas levou o nome de Parimoschi, mas o real derrotado foi Luiz, que testou os limites da sua influência e descobriu que o eleitor pode até aprovar um governo, mas não aceita que lhe imponham o destino.
Agora, o plano para Brasília em 2026 enfrenta um horizonte que Luiz talvez não tenha desenhado. Ele ingressou no PL mirando uma legenda que tinha nomes como Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli, Ricardo Salles e Guilherme Derrite no topo da lista de puxadores de votos e que conseguiu eleger 17 deputados federais no estado. Contudo, o jogo mudou. Hoje, nenhum deles faz parte da composição de chapa do partido seja por impedimentos ou trocas de legenda.
Sem as máquinas eleitorais da direita, Luiz precisará disputar cada voto em um partido onde a fidelidade doutrinária pesa mais que o currículo administrativo. Luiz continua um quadro relevante para a política local, mas descobriu que, ao tentar dar as cartas sozinho, acabou ficando com uma mão difícil de jogar em um momento onde o baralho já não mais seu.


