Reduzir distância entre a alta liderança e o chão de fábrica, físico ou digital, tem se mostrado um dos principais gargalos de performance corporativa. Na contramão desse modelo tradicional, um novo estilo de gestão tem ganhado espaço: o “modo founder”, abordagem que recoloca o CEO ou fundador na linha de frente do negócio, em contato direto com clientes, equipes e processos.
Inspirado em práticas comuns entre startups e hoje adotado por grandes companhias, o modo founder propõe uma reaproximação da liderança com a realidade operacional, transformando a cultura corporativa e os resultados.
Nos Estados Unidos, nomes como Brian Chesky, CEO e cofundador do Airbnb, tornaram-se ícones dessa filosofia. Avaliada em mais de US$ 70 bilhões, a plataforma de hospedagem passou por um redesenho organizacional que aproximou Chesky das operações e dos usuários, após o executivo concluir que conselhos externos e camadas hierárquicas estavam reduzindo a capacidade de inovação da empresa.
No Brasil, movimentos semelhantes já acontecem em companhias de grande porte. O Nubank, sob a liderança de David Vélez, eliminou níveis intermediários de gestão para acelerar decisões e fortalecer o vínculo entre liderança e operação — uma característica que, segundo analistas de mercado, contribuiu para a escalabilidade e a eficiência da instituição.
“Quando um CEO apenas dá ordens de cima, sem viver as consequências da execução, a empresa perde legitimidade e velocidade”, afirma Willian Crizostimo, CEO da martech BW8. “Ser fundador é mais do que ocupar um cargo. É ter coragem de ligar o modo founder quando a situação exige — ir para a linha de frente, assumir riscos e garantir que os foguetes não explodam sem resultado.”
Crizostimo ressalta que a gestão moderna não pode se apoiar exclusivamente em dashboards ou relatórios de consultoria. “Liderar é estar presente — seja em uma call com cliente, testando um processo de vendas ou implantando um sistema com o time técnico. A proximidade é o que gera aprendizado real e decisões mais assertivas.”
O contraste entre o modo founder e o modo manager, centrado em hierarquia, delegação e burocracia, evidencia uma transformação estrutural na liderança global. Executivos como Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, são exemplos de líderes que adotam o protagonismo operacional como diferencial competitivo, com impacto direto em velocidade de inovação e cultura organizacional.
Para Willian, o futuro pertence aos líderes que não se escondem atrás de relatórios, mas que entendem a empresa como um organismo vivo, construído a partir da interação constante entre pessoas, processos e clientes.
“Coragem, entrega e resultado não são slogans, mas práticas diárias. O founder precisa estar disposto a acionar seu modo mais essencial: o de quem constrói, arrisca e lidera da linha de frente”, conclui.

