A política tem uma linguagem própria para tratar de acordos que se desfazem. Chama de reposicionamento, de ajuste estratégico, de leitura do momento. O eleitor comum tem um nome mais direto para isso. E Jundiaí, nos últimos anos, virou palco recorrente desse tipo de episódio. Os protagonistas mudam. O desfecho é sempre o mesmo.
Kassab conhece Jundiaí há tempo suficiente para saber que a cidade cobra caro. Em 2020, de uma candidatura a prefeito articulada, o PSD saiu da eleição municipal com cinco candidatos a vereador, todos abaixo de 200 votos. Um partido que existe para negociar poder não negocia nada sem bancada. A saída foi se reconstruir dentro do governo de Luiz Fernando Machado, ocupar espaço na administração e chegar em 2024 com outra musculatura. Chegou. Fechou acordo com a coligação de Parimoschi, com a vaga de vice garantida para a sigla. O PL ignorou o combinado, fechou chapa pura com Albino e ainda perdeu a eleição. O PSD ficou sem a vice, sem a vitória e com o acordo rasgado na mão.
A virada de 2025 parecia diferente. Benassi deixou o Novo e migrou para o PSD sem alarde, num movimento que aconteceu mais nas sombras do que nos palanques. Assumiu a presidência do diretório municipal e recebeu carta branca de Kassab para escolher entre federal ou estadual. O problema é que a vaga de deputado estadual já tinha dono dentro do próprio partido. Danilo Joan era o nome consolidado para a Alesp, com apoio já articulado até com lideranças da cidade. Quando Benassi sinalizou interesse pela mesma vaga, o acordo interno desmoronou. Joan não esperou o desfecho e foi para o PP.
Agora, Benassi desistiu de disputar 2026. Mas antes de encerrar o ciclo, ainda encontrou tempo para demonstrar apoio a candidatos de outras siglas, algumas delas ligadas exatamente ao campo político que ele mesmo elegeu como adversário ao longo da carreira. O vice-prefeito que saiu do PSDB, passou pelo PPS, pelo Cidadania, chegou ao Novo com discurso de renovação, atravessou para o PSD na surdina e terminou na arquibancada apoiando quem dizia combater resume bem a confusão que sempre foi sua trajetória política. Em política, alguns chamam isso de pragmatismo. A palavra mais precisa é outra.


