Jundiaí chega a 2026 com uma fila de pré-candidatos a deputado que impressiona no tamanho e decepciona na lógica. O quociente eleitoral que define quem entra na Assembleia de São Paulo foi de 246 mil votos em 2022. Para a Câmara Federal, 332 mil. Jundiaí sozinha mal cobre esse patamar somando todo o seu eleitorado. A conta não fecha antes mesmo de a campanha começar.
E ela não vai fechar por um motivo que ninguém na política local gosta de dizer em voz alta: 20% dos eleitores da cidade não aparecem para votar. Outros 30% dos votos válidos escorrem para candidatos sem qualquer vínculo com a região. Na prática, quase metade da força eleitoral de Jundiaí some antes de qualquer disputa. O que resta é uma fatia de 100 a 120 mil votos sendo repartida entre uma multidão de candidatos com bases sobrepostas e discurso padrão.
Aqui mora a hipocrisia que ninguém nomeia. O sistema proporcional premia a legenda, não o candidato. Em 2022, deputados federais foram eleitos em São Paulo com menos de 80 mil votos individuais, enquanto outros, com o dobro disso, ficaram de fora. O que os separou foi a força do partido. Um candidato razoável numa legenda forte derrota um candidato excelente numa sigla fraca. Isso é matemática eleitoral básica. O problema é que convém não explicar isso ao eleitor, porque a explicação esvazia a candidatura antes da propaganda eleitoral.
A verdade incômoda é que boa parte desses pré-candidatos sabe que não vai se eleger. Sabe que a dispersão vai engolir qualquer chance real. Sabe que o eleitor jundiaiense vai pulverizar o voto entre correntes ideológicas nacionais, igrejas e celebridades políticas de outras cidades. Mesmo assim, segue em frente. Porque candidatura a deputado virou o investimento mais barato da política local: você faz campanha, aparece, constrói base e ainda pode perder sem custo algum de reputação.
Eleger um deputado de Jundiaí exige o que a classe política local demonstrou ser incapaz de fazer: escolher um nome, concentrar forças e abrir mão da própria vaidade. Votar em cinco jundiaienses diferentes é o mesmo que não votar em nenhum, e o partido sem volume não elege ninguém. O que sobra, eleição após eleição, é uma enxurrada de candidaturas que entra com barulho, passa sem deixar rastro e garante que Jundiaí continue sem representação própria.


