O Projeto Olhos da Serra chega à terceira etapa em 2026 consolidando ações de conservação e recarga hídrica na Serra do Japi, em Jundiaí. Os resultados mais recentes, comemorados no Dia Mundial da Água (22 de março), incluem a queda no risco de incêndios florestais e a manutenção do volume de infiltração de água no solo da região.
Conduzido pelo Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Consórcio PCJ), com patrocínio de Coca-Cola Brasil e Coca-Cola FEMSA Brasil, o projeto atua desde 2022 com o objetivo de conservar mais de dois mil hectares de reserva biológica e os recursos hídricos da Serra do Japi. A cadeia montanhosa é considerada um dos últimos grandes remanescentes de Mata Atlântica no interior do estado de São Paulo e abrange os municípios de Cabreúva, Cajamar, Jundiaí e Pirapora do Bom Jesus.
Uma das principais novidades desta etapa é a implantação do sistema de monitoramento por Inteligência Artificial chamado Pantera, desenvolvido pela startup umgrauemeio. O sistema opera por meio de uma câmera de alta resolução com rotação de 360°, instalada em uma torre de rádio no alto da Serra, que analisa imagens em tempo real para identificar focos de incêndio com alta precisão. Com isso, equipes da Divisão Florestal da Guarda Municipal e da Defesa Civil podem ser acionadas com mais rapidez. Os dados do Pantera apontam predominância de risco baixo e muito baixo de incêndios na Serra do Japi em 2025.
A redução das queimadas tem impacto direto na disponibilidade de água da região. Sem incêndios, a vegetação preserva o solo, que mantém sua capacidade de absorver a chuva e recarregar o lençol freático. Já solos atingidos pelo fogo perdem essa função, levando à diminuição da vazão de nascentes e rios. A Serra do Japi, conhecida como “Castelo das Águas”, concentra mais de 800 nascentes e uma centena de corpos d’água já mapeados pelo projeto.
Somadas ao monitoramento de incêndios, outras ações como plantio de árvores nativas, educação ambiental e controle de circulação não autorizada contribuem para manter uma recarga anual superior a 5,5 bilhões de litros de água no solo da Serra. A água que nasce na região abastece o Rio Jundiaí e o Ribeirão Piraí, mananciais com captações em municípios como Cabreúva, Indaiatuba, Itupeva e Jundiaí. Estima-se que cerca de meio milhão de habitantes já sejam beneficiados pelas atividades do projeto.
“Nesses quatro anos de projeto, temos resultados importantes em áreas sensíveis, como o combate a incêndios, preservação florestal, sensibilização ambiental, saneamento rural e recarga hídrica”, destacou Mariane Leme, coordenadora de projetos do Consórcio PCJ.

