Jundiaí vive um cenário inusitado no segundo turno das eleições municipais: o PSOL e o PT decidiram adotar uma postura de neutralidade, sem declarar apoio aos candidatos Gustavo Martinelli (UNIÃO BRASIL) ou Parimoschi (PARTIDO LIBERAL). A decisão foi recebida com críticas de eleitores e até de membros dos próprios partidos, que acusam a liderança de ‘ficar em cima do muro’ em um momento decisivo para a cidade.
Na reta final da disputa, as candidaturas de Martinelli e Parimoschi polarizam a cidade, mas os partidos de esquerda resolveram manter distância de ambos. Em nota, o PSOL afirmou que seus mais de dez mil eleitores acreditam em um projeto de cidade que priorize moradia popular, tarifa zero no transporte público e a proteção do meio ambiente. No entanto, criticaram duramente os dois candidatos no segundo turno.
A nota do PSOL subiu o tom ao classificar ambos os partidos, União Brasil e PL, como representantes da “extrema-direita”, sendo que o União Brasil é um partido que integra a base do Governo Federal. A legenda afirmou ainda que nenhum dos candidatos se comprometeu com suas pautas, como a defesa do reajuste salarial de servidores e a revogação do confisco das aposentadorias. “Qualquer apoio seria incoerente e uma traição com quem acredita que uma Outra Jundiaí é Possível”, conclui o texto.
O PT, por sua vez, também optou por não apoiar nenhum dos lados, reiterando sua neutralidade. Em um comunicado oficial, o partido justificou a decisão, destacando que “ambos os candidatos representam a continuidade de um projeto de governo que não se alinha com os valores progressistas e com os interesses da classe trabalhadora.” A nota do PT criticou ainda a falta de reconhecimento das conquistas do governo Lula na cidade e denunciou que ambos os grupos adversários “abrigam pessoas que apoiaram ou se omitiram diante dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.”
Críticas de Eleitores e Filiados
A postura dos partidos gerou uma onda de insatisfação entre eleitores e até membros das próprias legendas. Para muitos, as lideranças de PSOL e PT estão “em cima do muro” em um momento em que o combate à extrema-direita deveria ser prioridade. “A neutralidade é, na prática, uma concessão àqueles que sempre lutamos contra”, afirmou um filiado ao PT que preferiu não se identificar.
Nas redes sociais, eleitores questionaram se a decisão de não tomar partido não seria uma forma de enfraquecer a resistência aos projetos políticos que ambos os partidos, PSOL e PT, criticam com veemência. “Essa neutralidade é a indiferença aos profissionais da saúde e educação. Que triste isso. Por isso que a esquerda não cresce em Jundiaí.”, afirmou uma internauta.
Polarização no Segundo Turno
Enquanto PSOL e PT permanecem neutros, a campanha de Gustavo Martinelli aparenta ganhar forçar, de acordo com os comentários nas redes de ambos os partidos neutros. Com o PSOL e PT em cima do muro, ambos os candidatos continuam sua corrida para conquistar eleitores progressistas que.
O cenário em Jundiaí reflete um dilema vivido por partidos de esquerda em outras partes do país: apoiar um candidato com quem há divergências significativas ou manter-se fiel a seus princípios, mesmo que isso signifique não participar ativamente do processo decisório. Resta saber se essa postura será benéfica para a construção de um futuro político ou se trará novas ondas de críticas e pressões para as próximas eleições.

