O pedido de exoneração do secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Marcos Galdino, entregue ao prefeito Gustavo Martinelli (União Brasil) nesta terça-feira (14), é mais um capítulo do roteiro de instabilidade que vem marcando o governo municipal.
Galdino era visto como um dos poucos nomes capazes de transitar com respeito entre diferentes atores políticos da cidade. Não acumulava desafetos relevantes e, nos bastidores, tinha a confiança de setores que raramente se alinham. Sua saída, portanto, é menos sobre ele — e mais sobre o contexto de briga interna que engole a administração.
Esse cenário não começou agora. Desde a reforma administrativa de agosto, que resultou na saída de quatro secretários ligados ao vice-prefeito Ricardo Benassi (PSD), o distanciamento entre os dois ocupantes do Executivo deixou de ser rumor e virou prática. Benassi, que perdeu as pastas de Governo e Finanças, viu também aliados próximos — como Edney Duarte Junior e André Ferrazzo — serem retirados do tabuleiro.
O problema maior, porém, não está na dança de cadeiras em si, mas na ausência de direção. Quando o Executivo se movimenta apenas reagindo a conflitos internos, sem conseguir mostrar prioridade, planejamento ou rumo claro, o resultado é um governo que gasta energia para administrar o próprio caos, em vez de administrar a cidade.
Na campanha, prefeito e vice juravam um “governo a quatro mãos”. No exercício do poder, virou um braço de ferro: de um lado Martinelli, de outro Benassi — e a cidade, no meio, sem saber quem de fato governa.
