Partidos políticos não se medem apenas pelo tamanho da bancada que elegem. Medem-se, sobretudo, pela capacidade de transformar uma vitória eleitoral em ação coordenada dentro do Legislativo. Quando essa engrenagem falha, a força numérica passa a existir sem direção.
É esse o estágio atual do PL em Jundiaí.
A legenda saiu das urnas com seis vereadores, quase 30% da Câmara Municipal, e a expectativa natural de protagonismo. O que se seguiu foi diferente. A bancada nunca operou como bloco, não estabeleceu posição comum e tampouco construiu uma estratégia coletiva. O partido permaneceu formalmente presente, mas sem capacidade de condução política.
Essa ausência de coordenação se refletiu na relação com o Executivo. Embora em graus distintos e sem adesões explícitas, os vereadores eleitos pelo PL passaram a atuar de forma convergente com a base governista do prefeito Gustavo Martinelli. O movimento não foi anunciado, mas se tornou perceptível nas votações e na inexistência de um contraponto organizado.
O ponto de ruptura veio logo no primeiro ato da legislatura de 2025. Na eleição da Mesa Diretora da Câmara, o presidente municipal do PL, Adilson Rosa, indicou Quézia como candidata do partido. À época, ela era a principal aposta interna, tratada como liderança em ascensão e nome prioritário da legenda.
O plenário, porém, mostrou outra correlação de forças. Quézia votou em si mesma, acompanhada por Rodrigo Albino e Basson. Madson, João Victor e Thiago da El Elion ignoraram a orientação partidária e votaram em Edicarlos, deslocando-se desde ali para a base governista. Houve reação pública, acusações e ameaças de expulsão. Nenhuma delas avançou.
Desde então, cada vereador passou a conduzir sua própria trajetória. Rodrigo Albino projeta a saída e deve seguir para o NOVO. Basson mantém vínculo com pautas do partido, mas sem alinhamento com a direção municipal. Quézia, que era o nome da vez, rompeu no fim de 2025 com Adilson Rosa, até então seu mentor político, e passou a atuar com cautela, mantendo o futuro partidário em aberto. Madson se afastou da estrutura local após a eleição da Mesa. Thiago da El Elion e João Victor confirmaram um perfil pragmático, para o qual o PL foi mais caminho eleitoral do que projeto político.
Se ainda permanecem na legenda, não é por convicção. É por regra. A fidelidade partidária mantém vínculos que a política já desfez.
O caso do PL em Jundiaí ajuda a compreender um fenômeno menos visível, mas recorrente na política local. Bancadas podem ser grandes e, ainda assim, incapazes de produzir direção. Partidos podem eleger nomes, mas não necessariamente conduzir mandatos. Quando isso acontece, a legenda deixa de ser centro de decisão e passa a funcionar apenas como endereço eleitoral. O partido permanece. A política segue em outro lugar.
