A proposta de implantação da Unidade de Recuperação de Energia (URE) Bandeirantes, usina de incineração de resíduos prevista para a região de Perus, na zona noroeste de São Paulo, enfrenta uma crescente onda de resistência popular. Moradores de Perus e bairros vizinhos afirmam que a maior parte da população do entorno é contrária ao projeto e que a audiência pública sobre o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) deve ser marcada por uma das maiores mobilizações comunitárias já vistas na região.
A audiência está marcada para o dia 31 de março de 2026, às 17h, no CEU EMEF Perus, localizado na rua Bernardo José de Lorena, s/n, na Vila Fanton, em São Paulo. Diversos grupos locais planejam chegar com antecedência para garantir lugar e acompanhar todo o debate sobre os possíveis impactos ambientais e sociais do empreendimento.
A mobilização vem sendo organizada por meio de redes sociais, reuniões comunitárias e articulações entre moradores e coletivos locais. Para muitos, este é um momento decisivo para que a comunidade manifeste sua posição diante de um projeto que poderá impactar diretamente o território e a qualidade de vida da população da região noroeste da capital.
A reação também se apoia no histórico ambiental de Perus, que por décadas conviveu com estruturas de destinação de resíduos da cidade de São Paulo, em especial com o antigo Aterro Bandeirantes. Para parte dos moradores, a instalação de uma nova unidade ligada ao tratamento de lixo representa a continuidade de um modelo que concentra impactos ambientais em áreas específicas da cidade, o que tem alimentado ainda mais o sentimento de mobilização.
A pressão popular já começa a ganhar dimensão política, com moradores procurando deputados, vereadores e outras lideranças públicas para discutir o futuro ambiental da região. A expectativa é de que representantes políticos acompanhem a audiência pública para ouvir as demandas da comunidade.
Diante desse cenário, a audiência do dia 31 de março tende a ocorrer sob forte mobilização e pressão popular. Para muitos moradores, o debate sobre o incinerador vai além de questões técnicas sobre gestão de resíduos e se torna uma disputa sobre o futuro ambiental e urbano de Perus e de toda a região noroeste da cidade, com a audiência sendo vista como um dos capítulos mais importantes dessa luta coletiva.

