Quando falo em gastroplastia endoscópica no consultório, a reação é quase sempre a mesma: “nunca ouvi falar nisso.” E faz sentido. Durante décadas, quem precisava de uma intervenção para emagrecer tinha basicamente uma escolha: a cirurgia bariátrica. Ou você se enquadrava nos critérios, ou voltava para as dietas, os remédios e a frustração de sempre.
Mas a medicina evoluiu e esse cenário mudou. E infelizmente muita gente ainda não sabe.
A bariátrica continua sendo uma opção válida. É eficaz, tem décadas de evidência científica e segue sendo a melhor indicação para casos de obesidade severa. O problema é que toda essa eficácia tem um custo, uma vez que a cirurgia bariátrica é também o mais radical dos tratamentos da obesidade, com recuperação mais prolongada e outras repercussões para o paciente no longo prazo, como alterações na absorção de nutrientes. Além de ser um procedimento irreversível. Para muitos pacientes, isso é um impedimento real, não uma desculpa.
É exatamente nesse espaço que a gastroplastia endoscópica se faz tão bem indicada.
O procedimento é feito sem cortes, através de uma endoscopia digestiva. Por dentro do próprio estômago, aplicamos pontos que reduzem seu volume em cerca de 70 a 80%, o que limita a quantidade de comida ingerida e acelera a sensação de saciedade. O paciente vai para casa no mesmo dia e volta à rotina em dois ou três dias.
Na minha prática, ela se tornou a principal ferramenta para pacientes com obesidade moderada, especialmente aqueles com histórico de efeito sanfona ou que usaram medicamentos por muito tempo sem conseguir manter os resultados. Não porque seja uma solução mágica, mas porque resolve algo que dieta e remédio raramente resolvem de forma duradoura: o volume gástrico. Quando associada a acompanhamento nutricional e atividade física, os resultados são consistentes de uma forma que dificilmente vejo com outras abordagens nesse perfil.
Por outro lado, pode haver indicação de gastroplastia mesmo em quem já fez bariátrica. Um paciente que fez bariátrica anos atrás, recuperou parte do peso e pode encontrar na gastroplastia uma forma de retomar o controle sem precisar ser submetido a outra cirurgia. Há também pacientes que usam a gastroplastia como primeiro passo, perdendo peso suficiente para reduzir o risco de uma bariátrica futura, se necessário. A escolha depende de cada história, de cada metabolismo, de cada objetivo.
Quem não se enquadra na bariátrica, ou simplesmente não quer uma cirurgia convencional, não precisa mais ficar sem alternativa. Existe um caminho menos invasivo, com eficácia documentada e recuperação rápida. Se você se reconheceu em algum ponto desse texto, vale a pena conversar sobre isso em uma consulta. Cada caso é único, e a melhor indicação sempre começa por aí.
Por Iatagan Josino – Médico formado pela Universidade Federal do Ceará em 2013, com residência em Cirurgia Geral e Endoscopia Digestiva, além de pós-graduação em Medicina Integrativa e Emagrecimento.Com ampla experiência em emagrecimento, longevidade saudável, performance esportiva e equilíbrio metabólico




